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Jundiaí universaliza o saneamento 8 anos antes do prazo: o que muda para quem tem terreno ou chácara na cidade

Jundiaí universaliza o saneamento 8 anos antes do prazo: o que muda para quem tem terreno ou chácara na cidade

Jundiaí anunciou em 1º de setembro de 2026 que atingiu a universalização do saneamento básico — oito anos antes do prazo que o Marco Legal do Saneamento fixou para 2033. O número não é autodeclarado: vem da metodologia do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SINISA), do Ministério das Cidades, com base nos dados de 2025.

Para quem acompanha o mercado imobiliário da cidade, esse é um daqueles anúncios que parecem burocráticos e não são. Água e esgoto não são detalhe de conforto: são pré-requisito de aprovação de loteamento, entram no laudo de avaliação do banco e mudam o custo de manter — e o preço de vender — um terreno ou uma chácara. E o salto mais expressivo do balanço aconteceu justamente onde estão esses imóveis: na área rural.

Os números confirmados

Segundo a Prefeitura de Jundiaí e o DAE, os índices de 2025 ficaram assim:

  • Água tratada: 99,14% de cobertura (era 98,57% em 2024);
  • Coleta e afastamento de esgoto: 97,09% (era 96,56% em 2024).

E o movimento na área rural, que é o dado que interessa a quem tem terra:

  • Acesso à rede de água: de 64,41% para 81,06% em um ano;
  • Coleta e afastamento de esgoto: de 44,09% para 71,56% no mesmo período.

São quase 17 pontos percentuais de avanço em água e mais de 27 em esgoto, em doze meses. É um ritmo que não se repete todo ano — e é o tipo de mudança que reposiciona regiões inteiras dentro do mercado.

O prefeito Gustavo Martinelli associou o resultado a "um trabalho contínuo, planejado e executado com responsabilidade". O diretor-presidente do DAE, Daniel Bocalão, foi mais específico sobre onde estava a dificuldade: o resultado, segundo ele, vem de "um serviço de saneamento que não olha apenas para os grandes sistemas, mas também para as regiões onde ainda existem desafios".

As obras que sustentam esse número

Adutora do Castanho — a maior em andamento

São 6,9 quilômetros de adutora, com investimento de R$ 18,2 milhões e entrega prevista para fevereiro de 2027, para atender cerca de 6.500 famílias. É a obra estruturante do abastecimento da região Sul.

O que foi entregue no primeiro semestre de 2026

  • Roseira, Caxambu e Fernandes — 2,7 km de rede de água, cerca de 290 famílias, em fase final de preparação para a entrega oficial;
  • Vale dos Cebrantes — 5,7 km de rede de coleta de esgoto, cerca de 150 famílias, concluída;
  • Roseira — 1,2 km de ampliação de esgoto, cerca de 180 famílias, concluída;
  • Loteamento Fumachi — 0,63 km de rede de água, cerca de 80 famílias, concluída;
  • Traviú e Poste — mais de 14 km de coleta de esgoto, com a primeira etapa avançando para conclusão;
  • Adutoras Santo Antônio e Varginha — 3,8 km, cerca de 400 famílias;
  • Loteamento São Jorge — 1,68 km de rede.

Ivoturucaia, obra aberta agora

Em 27 de agosto de 2026, o DAE iniciou a implantação de 530 metros de rede de água na Avenida José Mezzalira, no Ivoturucaia, para cerca de 50 famílias, com R$ 119 mil de recursos próprios. A Prefeitura informou que a intervenção integra um conjunto de obras simultâneas em Roseira, Traviú, Jardim Aeroporto, Vale dos Cebrantes, Castanho e Jardim Planalto.

E o Vetor Oeste, entregue no fim de 2025

A adutora do Vetor Oeste entrou em operação em 7 de dezembro de 2025, depois de obra iniciada em maio de 2023: mais de 3 quilômetros de extensão e R$ 18,3 milhões de investimento, com recursos do programa IN22 da Caixa Econômica Federal somados a recursos próprios da companhia. Na entrega, o prefeito descreveu o alcance como "um projeto de mais de três quilômetros de extensão, que passa a beneficiar cerca de 160 mil famílias" — número que reproduzimos como divulgado pela Prefeitura. O então presidente do DAE, Luiz Roberto Del Gelmo, registrou que a adutora foi dimensionada não só para a demanda atual, mas "também o desenvolvimento da região nos próximos anos".

Por que saneamento define o valor de um terreno

Existem três caminhos concretos pelos quais rede de água e esgoto viram preço.

1. Aprovação de parcelamento

A Lei Federal nº 6.766/1979, que rege o parcelamento do solo urbano, define infraestrutura básica como o conjunto formado por escoamento de águas pluviais, esgotamento sanitário, abastecimento de água potável, energia elétrica pública e domiciliar e vias de circulação. Sem isso equacionado, um loteamento não se aprova. É por essa porta que a chegada da rede transforma uma gleba "que não dava" numa gleba que passa a interessar a incorporador e urbanizador.

2. O laudo do banco

Como a maior parte das vendas de usado na região é feita com financiamento, quem dá a palavra final sobre preço é o avaliador do banco — e o laudo descreve a infraestrutura disponível no imóvel e na via. Na prática de mercado, ausência de rede de água ou de coleta de esgoto costuma pesar contra na avaliação e, em alguns casos, restringir a operação. Vale a leitura do nosso artigo sobre por que a avaliação do banco pesa mais que o preço do portal.

3. O custo de manter

Poço, caminhão-pipa, fossa e limpeza periódica são despesa recorrente e risco ambiental. Quando a rede chega na rua, essa conta some — e o comprador que antes descontava do preço para "resolver a água" deixa de ter argumento para descontar.

Análise, não previsão. Universalização não é sinônimo de valorização automática, e o índice do SINISA é uma média da cidade — a rede pode ter chegado à sua região ou não. O que a experiência do mercado sugere é algo mais específico: infraestrutura básica costuma agir primeiro sobre a liquidez, ampliando o número de compradores e de bancos dispostos a operar com aquele imóvel, e só depois sobre o preço. Em áreas rurais e periurbanas, onde a ausência de rede historicamente afastou financiamento e loteador, esse efeito de porta de entrada tende a ser mais visível do que no tecido urbano já consolidado. Nada disso substitui a checagem individual: o que vale é a rede na sua rua, não o percentual da cidade.

O juro ainda é a trava — e é aí que entra a permuta

A meta da Taxa Selic estava em 14,00% ao ano na consulta feita ao Banco Central em 9 de setembro de 2026 (série 432 do SGS), com nova reunião do Copom marcada para este mês. Juro nesse patamar comprime a capacidade de compra justamente de quem compraria terreno para construir.

É o cenário clássico em que a permuta resolve o que o crédito não resolve: o dono do terreno que agora tem rede na porta troca a área por unidades prontas, por um imóvel de outro padrão ou por uma combinação de imóvel mais parcela — sem depender de aprovar um financiamento a 14%. Se o assunto é novo para você, comece pelo nosso guia de permuta de imóveis em Jundiaí e Itupeva.

Onde procurar imóvel nas regiões citadas

O que observar nas próximas semanas

  • A entrega oficial da rede de Roseira, Caxambu e Fernandes, hoje em fase final de preparação.
  • O andamento da adutora do Castanho, com entrega prevista para fevereiro de 2027.
  • A conclusão da primeira etapa da coleta de esgoto de Traviú e Poste.
  • A decisão do Copom de setembro, que mexe direto na parcela de quem for financiar terreno ou construção.

Tem terreno ou chácara numa dessas regiões?

Se a rede chegou — ou está chegando — na sua rua, o seu imóvel provavelmente não vale hoje o que valia há dois anos, e quase ninguém refaz essa conta sozinho. A Marcello & Oliveira Negócios Imobiliários faz a avaliação gratuita com base em negócios efetivamente fechados na região e, para quem tem terreno parado, monta um estudo de permuta — trocando a área por imóvel pronto, sem depender de financiamento a 14% ao ano. Fale com a gente e veja também os imóveis disponíveis em Jundiaí.

Fontes

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